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O Encontro
quinta-feira, 14 de maio de 2009 Por Pr. Alexandre Vitaliano
Categorias :: Motivacional, Avivamento, Reflexão
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A saudade é algo fascinante, principalmente para quem gosta de falar e escrever, pois é através das palavras, sejam elas escritas ou faladas, que nós expressamos os nossos sentimentos, as nossas vontades, os nossos anseios, nossos sonhos, nossos momentos e nossos encontros. Afinal eu já estava com saudades do site da igreja, pois ao visitá-lo, me alimentava com os artigos dos amados irmãos, todavia eu sempre me perguntava: e os meus arquivos, e os meus escritos, e a minha parca colaboração?

Logo, por ansiar encontrá-los novamente é que decidi passar esse escrito a limpo. Na verdade, esse escrito foi feito em agosto, mas os meninos (Rodrigo e Julio) não souberam interpretar a minha escrita desenhada. Por isso, é que ele esta sendo publicado nesse mês.

Quanto ao nosso tema, à palavra encontrar nos sinaliza vários significados, tais como: Deparar com; achar, defrontar-se com, descobrir, deparar por acaso entre outros. O que mais me fascina no texto bíblico citado acima, é que ele reúne todos esses ingredientes, e outros mais. Ao analisar essa passagem como professor de geografia bíblica, percebi que Jesus poderia voltar a Galiléia sem ter que passar por Samaria. Ele podia perfeitamente subir pelo vale do Jordão. Mas é aqui, justamente aqui, que entra no encontro aquele ingrediente que as palavras humanas não conseguem encontrar o significado.

Um ponto interessante se dá quanto á busca que motivou o encontro, que é a água. Como o nosso Deus nos surpreende, pois a Bíblia nos sinaliza que o Senhor Jesus é a própria fonte de “água da vida” e o texto nos mostra que ele vai à fonte atrás de água. Essa mesma água que é um elemento vital para o ser humano, principalmente naquela região.

Mas meus amados, um poço não é uma nascente, logo, para que ele reproduza água é necessário que chova, é necessário que caia aquele orvalho noturno... ah! o orvalho noturno; o orvalho noturno se encaixa muito bem nesse texto. Principalmente se nos lembrarmos daquele trecho lindo do poema “Tragédia no Lar” de Castro Alves (1) , que diz: “Eu sou como a garça triste que mora a beira do rio, as orvalhadas da noite me fazem tremer de frio”. Castro Alves era o poeta dos escravos, e essa mulher samaritana era uma escrava. Escrava de um sistema religioso que fazia a separação entre o puro e o impuro, escrava de uma cultura que não via a mulher como um ser criado por Deus, escrava de um povo supostamente eleito por exclusividade, os judeus, que tratava como cães os outros povos, essa era a dura realidade daquela mulher.

O poema fala de rio, fala de escravidão, fala de tristeza. Aquela mulher vai ao poço triste, vai ao poço na condição de escrava, vai ao poço buscar quem sabe apenas um cântaro de água e nem imagina que um rio de águas vivas lhe espera.

Outro detalhe interessante no texto se dá ao fato de um homem conversar em público com uma mulher, ainda mais uma samaritana. Desta forma, para que esse encontro acontecesse barreiras deveriam ser quebradas. Barreiras culturais, barreiras históricas, barreiras da hipocrisia. Na verdade essa barreira se inicia em 721 a.C, quando Samaria era a capital do Reino Norte. Porém, esta foi invadida pelos assírios no primeiro cativeiro israelita. Os assírios adotavam uma política de dominação que consistia em misturar os povos. Desta forma, eles deportaram para capital Samaria gente da Babilônia, de Cuta, de Ava, de Emat e os sefarvains (II Rs 17.24). Com essa medida, esses povos acabaram por se unir aos judeus formando então os Samatitanos.

A partir desse período, vários desentendimentos ocorreram entre esses dois povos, sendo o mais marcante, a destruição do templo de Samaria pelos judeus em 128 a.C. Daí tanto ódio entre os dois povos. Daí tantas barreiras entre eles. Porém o mais bonito em Jesus é que para ele não existe barreiras, para ele o ódio se vence com amor. Hoje fico vendo quantas, mais quantas pessoas não conseguem dar um passo para Jesus. E porque elas não conseguem? Porque elas não estão dispostas a quebrar barreiras.

Buscar água no poço naquele horário não era normal. O normal era ir ao poço pela manhã bem cedo, ou no final do entardecer. Aquela mulher vai ao poço ao meio dia porque sobre ela pesa a vergonha, o medo, a angústia de mais um dia rotineiro e sem perspectiva. Se aquela samaritana vivesse em nossos dias ela com certeza cantaria “Todos os dias é um vai-e-vem, a vida se repete na estação, tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais”(2). Eu creio que a verdadeira sede daquela mulher era a sede de viver, a sede de mudança, a sede de um novo amanhã, pois aquele dia não passava de mais um vai-e-vem.

Agora, vejam como Jesus é maravilhoso, pois Ele mesmo declara “Não foste vós que me escolhestes; fui eu quem vos escolhi”(3), ah! Jesus, não fomos nós que te encontramos, mas é sempre o Senhor que vem ao nosso encontro. E o que mais me fascina no nosso encontro com Jesus, é que diante dele nós somos desnudados, somos confrontados com a nossa realidade. Nos versos da letra de Milton Nascimento citada acima, observa-se algo revelador para vida dessa samaritana, pois se diz: “tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais”. Porém, na vida dela ninguém chega pra ficar, veja as palavras de Jesus: “Disseste bem que não tens marido. De fato, tiveste cinco maridos, e o que tens agora, não é teu marido”(4), ou seja, seria mais um, e depois outro, e mais outro, até quando?

Tem vezes que a nossa vida é assim, nós nos acostumamos com a nossa mediocridade. Você pode até falar: “mas Jesus não vem ao meu encontro”. Queridos, hoje, é impossível, salvo em alguns lugares remotos, que você não tenha ouvido falar de Jesus, que você não tenha ouvido que ele morreu por você, que a Páscoa é vida e não ovos, justamente porque Ele morreu para te dar vida. Quantas pessoas já falaram de Jesus e das suas maravilhas e nós muitas vezes, até mesmo dentro das igrejas, não cremos nele, não queremos ser encontrados por Ele. Preferimos ficar mergulhados no vai-e-vem das nossas vidas.

O cap.4 do Evangelho de São João, entre os versículos 39-42, nos relata que os samaritanos “ao ouvirem o testemunho da mulher” creram nele. O texto ainda diz que “muitos outros creram por causa da sua Palavra”(5), e chegaram a declarar “Já não é por causa do que nos contaste que cremos, pois nós mesmos ouvimos”(6). Eu creio que aqui entrou o famoso “estou à porta e bato”(7). Jesus vai ao encontro da mulher, e esta como um ramo ligado a Videira Verdadeira(8), começa a bater em portas, e as portas vão se abrindo, as portas dos de fora, dos impuros, dos rejeitados, dos pecadores, já os chamados “seus”, ah! Os “seus” diz as escrituras que “não o quiseram, não o acolheram”(9), preferiram outros encontros. Eu hoje quando olho para nossas igrejas, fico preocupado, na verdade muito preocupado, porque os chamados “seus” e os que se declaram serem “seus”, na verdade estão percorrendo um antigo caminho religioso pavimentado pela presença e desencontro. Presença de Jesus, e a rejeição dessa presença. Na verdade, preferiram as festas, as falsas alegrias, os falsos prazeres. E infelizmente temos visto isso dentro de nossas igrejas.

Para terminar, veja o que estava por detrás do encontro. Aquela mulher vai buscar água de poço, e sai de lá com “água viva”, tanto que o texto, nos seus detalhes, nos mostra no vers. de nº 28(10) que o seu “cântaro” ou a “bilha”, ficou para traz. Mais não é só isso. A samaritana vai pecadora e volta perdoada, na verdade cheia de graça, vai perdida e volta salva. Assim é o nosso Deus, Ele sempre nos encontra nos nossos desencontros, nos nossos revés, nas nossas lutas, na nossa falta de perspectiva de um novo amanhã. Todavia não se esqueça, que Ele agora esta batendo na porta do seu coração, eu não sei à hora em que você vai ler esse artigo, mais não se esqueça que a hora de Jesus é perfeita, é Ele quem a faz. Então meu amado ou minha amada permita que ele te surpreenda, anunciando a ti “coisas grandes e ocultas que ainda não sabes”(11).

Deus te abençoe, em nome de Jesus Cristo, e te faça crescer na unidade da fé através da força do seu Espírito Santo.

Temos escrito muitos artigos, e esses são endereçados a todos, pois não sabemos até onde eles têm chegado. Entretanto eu gostaria de oferecer esse artigo em especial à amada Elizabeth Torres e a todos aqueles que fizeram e fazem do “encontro” com Cristo um jorrar de águas vivas por todo seu caminhar.

Amada Elizabeth, hoje eu te conheço apenas de ouvir falar, mas espero, em Cristo Jesus, que um dia ele me conceda a graça de caminharmos juntos em uma só fé, como um só rebanho, e o melhor: ouvindo a voz de um só Senhor.


Um grande abraço. Pastor Alexandre Vitaliano.

Referências:
1. Antonio Frederico de Castro Alves. Conhecido como o poeta dos escravos.
2. Trecho da música “Encontros e Despedidas” de autoria de Milton Nascimento e Fernando Brant.
3. Evangelho de João cap. 15 versículo de nº 16
4. Evangelho de João cap.4 versículos de nº 17-18.
5. Evangelho de João cap.4 versículo de nº 41.
6. Evangelho de João cap.4 versículo de nº 42.
7. Carta do Apocalipse cap.3 versículo de nº20.
8. Evangelho de João cap.15 versículo de nº 5.
9. Evangelho de João cap.1 versículo de nº11.
10. Evangelho de João cap.4 versículo 28.
11. Livro do profeta Isaías cap. 48 versículo 6.

 

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