“Pensamentos se embolavam enquanto Mack lutava para ter alguma clareza. Será que alguma daquelas pessoas era Deus? E se fossem alucinações? Ou será que Deus viria mais tarde? Já que eram três, talvez aquilo fosse uma espécie de trindade. Mas duas mulheres e um homem? E nenhum deles era branco? Mas por que ele havia presumido que Deus seria branco? Sabia que sua mente estava divagando, por isso concentrou-se na pergunta que mais queria ver respondida. Então qual de vocês é Deus? Eu – responderam os três em uníssono. Mack olhou de um para o outro e, mesmo sem entender nada, de algum modo acreditou.”
Imagine-se diante de uma cabana sabendo que Deus se encontra dentro dela. Tu sobes as escadas, páras em frente à porta, esticas o braço para tocar a campainha e... de repente, a porta se abre e aparece “uma negra enorme e sorridente”. Descobres que essa negra é “cozinheira e governanta”, se chama “Elousia” e... é Deus. À primeira vista, qualquer um fica chocado! Propositadamente, o autor conseguiu ir de encontro a todos os preconceitos e ao senso comum. Cada um de nós tem uma “imagem” distinta de Deus. Entretanto, geralmente todas estão distorcidas e bem distantes da verdadeira realidade divina. Esta última constatação justifica a quantidade de “enganos” no meio do povo de Deus. Os templos estão cada vez mais cheios, embora a realidade seja que as pessoas estejam cada vez mais distantes de Deus. Quando medito na passagem que retrata o “vale dos ossos secos” (Ezequiel 37), confesso-vos que não me vem à mente o mundo ou os meus amigos que não conhecem a Cristo. Para mim é uma referência direta à Igreja de Cristo de nossos dias. Como explicar (ou entender) esse paradoxo? “Moisés voltou para o lugar onde o Senhor estava e disse: - Este povo cometeu um pecado terrível. Eles fizeram um deus de ouro e o adoraram. Por favor, perdoa o pecado deles! Porém, se não quiseres perdoar, então tira o meu nome do teu livro, onde escreveste os nomes dos que são teus.”
Os hebreus amargaram aproximadamente 430 anos de escravidão no Egito. Não se sabe se nesse período eles adoravam a Deus. No entanto, a primeira questão levantada por Moisés ao Senhor seria o que ele falaria ao povo de Israel quando perguntassem quem o enviara, ou seja, o primeiro questionamento dos hebreus seria qual era a identidade de Deus. A geração que foi liberta do jugo da escravidão foi testemunha das dez pragas, da travessia do Mar Vermelho, da total destruição de Faraó e dos seus exércitos, da transformação da água insalubre em potável, da providência do maná e das codornizes, entre outros prodígios manifestados por Deus. Inclusive, o Todo Poderoso guiava o povo através de uma nuvem, durante o dia; e de uma coluna de fogo, à noite; dia após dia (Êxodo 13.21 e 22). Ou seja, O sobrenatural de Deus esteve presenta a cada passo da jornada. Apesar dessa companhia diária, em muitos trechos/momentos dessa viagem o povo fez o que era mau perante o Senhor. Contrariaram o seu primeiro e maior mandamento: “Não adore outros deuses; adore somente a mim” (Êxodo 20.3 NTLH). Em muitas passagens, fica evidente a depravação moral e esgotamento espiritual dos israelitas, a ponto de somente duas pessoas (da geração que saiu do Egito) terem entrado na terra da promessa. Mesmo “andando” diariamente com todo o povo de Israel, apenas uma parcela ínfima o (re)conheceu. Da mesma forma que outrora, Deus tem manifestado milagres e prodígios na vida de cada um de nós... diariamente! Muitas vezes, sem sabermos ou percebê-los. O fato de acordarmos e nos levantarmos já é um milagre e clara demonstração da misericórdia divina. No templo, cantamos, pulamos, levantamos as mãos, dançamos, sentimos o mover de Deus no culto; ouvimos nossos irmãos testemunhando grandes maravilhas que o Senhor realizou em suas vidas. Por que será que muitas vezes estamos tão distantes da presença de Deus, apesar de estarmos constantemente na igreja. O primeiro e maior engano dos evangélicos é não reconhecer a natureza santa de nosso Senhor. DEUS É SANTO! Portanto, é impossível se achegar a Ele levando uma vida desregrada e fora dos princípios cristãos. Apesar de amar (e muito) o pecador, Ele abomina o pecado. E este último nos separa d'Ele (Romanos 3.23). Um bom exemplo é Jesus, que nunca deixou de ser íntegro, mesmo nas ocasiões nas quais transgrediu a Lei. Fico vislumbrado com a narração da comissão de Isaías (Isaías 6). Ele foi um grande profeta e raramente encontramos pessoas tão íntegras e comprometidas com Deus como ele nas igrejas atuais. Mesmo assim, na presença de Deus ele se sentiu o “pior dos pecadores”; não que fosse hipócrita, mas ele reconheceu a grandeza da santidade de Deus. O mais importante para nossas vidas é que ainda que sejamos impuros, Ele tem o poder de nos purificar (vv 6 e 7) e de nos usar, mesmo sendo quem somos. “- (...) Os nossos antepassados adoravam a Deus neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde devemos adorá-lo. Jesus disse: Mulher, creia no que eu digo: chegará o tempo em que ninguém vai adorar a Deus nem neste monte nem em Jerusalém. (...) Mas virá o tempo, e, de fato, já chegou, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem. Deus é Espírito, e por isso os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade”
Quando adoramos a Deus, reconhecemos que Ele é senhor e rei de nossas vidas. Este “detalhe” obrigatoriamente tem que produzir uma nova maneira de ser e de pensar. Obrigatoriamente! A adoração é uma necessidade inerente ao ser humano. Creio que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, obras-primas da criação, com o intuito de louvá-lo e adorá-lo eternamente. A passagem acima revela-nos que a mulher samaritana estava “presa” à formalística/liturgia da adoração e Jesus a ensinou que Deus se importa com o sentido da adoração. No livro de Gênesis está descrito o sacrifício que Caim e Abel ofereceram ao Senhor. Os dois fizeram a mesma ação (ofereceram sacrifício), mas somente o sacrifício de Abel o agradou. Pessoas matam e morrem para venerarem algo, alguém ou mesmo a si próprios (grande característica de uma sociedade que “vive” para o prazer próprio, como a nossa). Essa mudança de alvo é o grande problema da humanidade e temos levado isso para as igrejas. Posições em Ministérios ou cargos cobiçados não podem ser mais importantes do que a adoração ao Pai. Não deveriam ser... O segundo maior engano da Igreja Cristã é achar que o templo físico é o único lugar de adoração. O melhor local de adoração à Deus é você! A liturgia do culto não deve ser mais importante que a adoração. Quando sabemos quem Deus é, e o que somos, a adoração acontece naturalmente. Não há como evitar! Atentemos para o fato que o Senhor deve ser a figura central dos “cultos” (e de nossa vida). O “d'Ele, por Ele, para Ele, todas as coisas” deve ser real e uma busca contínua e fervorosa em nossas vidas. Tudo na minha vida deve redundar em glória ao meu Deus, conscientes que “sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17 ARC). Independentemente de denominação (Assembléia, Presbiteriana, Batista, Metodista...): DEUS É SANTO; Tradicional ou Pentecostal, ELE DEVE SER ADORADO a todo instante. Se vivermos o genuíno evangelho, conhecedores da verdadeira natureza de Deus (quem medita continuamente na Palavra sabe do que estou falando), sendo autênticos adoradores, o mundo saberá quem é Deus. “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês deve oferecer a Deus. Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.”