Existem poucas coisas tão interessantes como a curiosidade que nos acomete quanto assistimos a um truque de mágica. Esta é diretamente proporcional à nossa visão de mundo; a mágica se torna o quão mais instigante quanto mais a tacharmos de IMPOSSÍVEL. Impossível. Mas como? Acabamos de ver. Aconteceu aí! Bem na sua frente... Porém, se é assim, então como? COMO? Um simples questionamento, mas que muitas vezes não alcançamos. Ele não é o primeiro de nossa lista de prioridades e, às vezes, pode nem mesmo estar incluído entre elas. “O que?” e “Para que?” basicamente ocupam a maior parte das nossas vidas e isso por serem de extremas necessidades, o que não é o caso do “como”. Só temos a necessidade de saber o “como” quando temos ou geramos um verdadeiro interesse sobre o que está diante de nossos olhos. Quando tudo parece normal – literalmente –, quando conseguimos classificar fatos em seus devidos lugares segundo uma norma por nós pré-estabelecida, o que julgamos como normal nos é irrelevante. A mágica brinca exatamente com isso, ela põe fatos e coisas fora da ordem: uma moeda que é tirada de traz da sua orelha ou uma carta que só você sabe qual é e esta é descoberta. “Mas como?” Isso logo surge em nossos pensamentos. Nós sabemos que ela não estava ali, então, como foi possível? É... ela sempre esteve nas mãos do mágico. “Mas como não vimos?” Não vimos porque estávamos com os olhos fixos em algum outro lugar. Não há nada oculto que não seja revelado. Esta paráfrase do restante do versículo citado acima é uma afirmativa desconcertante, de modo tal que ficamos maquinando como, onde e quando isso se dará. “Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.” (Mt. 24:36). Este verso é amplamente verdadeiro. Veja o que aconteceu com os discípulos em Lucas 24:44-45. Eles estavam o tempo todo com a revelação diante de seus olhos, mas até aquele momento não haviam compreendido. Ufa! Mas eles compreenderam... E você? “Mas eu não tenho dúvidas!” – poderia dizer você. Contudo isso não é bom, pois, sendo assim, não há nada a ser revelado para você. O ilusionismo é mais benéfico para nós do que as nossas certezas, pois nele sabemos que o que está acontecendo não é o real, apesar de parecer; trata-se de um sofisma. Com as nossas certezas as coisas são um pouco mais complicadas, elas são imutáveis, verdades absolutas, axiomas. A ela não cabem questionamentos. A nossa maneira de compreender as coisas é, na maioria dos casos, o grande empecilho para uma real compreensão. E esta muitas vezes nos faz sofrer quando algo sai fora do que fora – por nós – estipulado. Lucas relata uma situação dessas alguns versos antes dos que já foram citados aqui. Os discípulos no caminho de Emaús se põem a explicar a um desconhecido o que ocorrera em Jerusalém: eles relatam a morte de um profeta (v. 19). Profeta. Alguns do povo pensavam isto de Jesus. Pedro descobre que ele é o filho do Deus vivo, o messias que estava para vir (Mt. 16:13-16). Jesus não era profeta. Outros como Jesus já haviam aparecido diante deles e estes, depois de mortos, tiveram toda a sua obra desfeita (At. 5:34-39). “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que Ele enviou” (Jo. 6:29). Isto sim faz toda a diferença. Aqueles discípulos estavam tristes porque mais uma vez o sonho de ver se cumprir com eles o que fora descrito no salmo 126 estava sendo desfeito. Não seria desta vez que veriam a sorte de Sião ser restaurada. A tristeza era amplamente aparente em seus rostos. “Ó néscios...” – Jesus se põe a explicar o mal entendido – “porventura não convinha que O CRISTO (o messias) padecesse e entrasse na sua glória?” (Lc. 24:25-26). Mesmo após esclarecer que ele não era apenas um profeta e sim o MESSIAS, eles não compreenderam naquela hora, apenas algum momento depois. O que ocorreu entre estes dois pontos? Curtiram uma tristeza desnecessária. E agora? Como é que você está? Será que também não possa estar curtindo uma tristeza desnecessária? Está ainda tudo normal ou algo saiu do lugar? Será que não há uma vírgula mal colocada em suas compreensões? Não pode ser – ou – não, pode ser. Jesus está ao seu lado – não é ilusão – ainda que você não possa vê-lo. Mas, quanto a isso também, não se preocupe: Ele é especialista em fazer milagres, cura desde cegueira até paraplegias e, olhe bem: ele não dá a mínima para o tanque.