Conta a antiga lenda indiana que dois homens aproveitavam um dia de sol para se distraírem pescando quando ouviram gritos de socorro. Para surpresa dos dois, os gritos vinham do meio do rio: eram duas crianças que se afogavam. Imediatamente eles pularam na água e salvaram as crianças. Nem bem recuperados, outros gritos encheram o ar: eram pedidos de socorro de quatro crianças que se encontravam na iminência de morrer. Sem um olhar para o outro, automaticamente, os pescadores lançaram-se no rio e conseguiram salvar duas das quatro crianças. Sem fôlego, aterrorizados com o ocorrido, ouviram mais gritos, desta vez, de oito crianças. Um dos pescadores virou as costas para o rio e começou a caminhar. O outro, desesperado, gritou suplicando-lhe ajuda. Como resposta, ouviu apenas: é preciso ir à cabeceira do rio saber quem joga as crianças! Recebi este texto há algum tempo atrás e fiquei pensando se realmente não é assim que agimos. Queremos salvar os feridos, nos empenhamos em estratégias para apagar incêndios, sempre tratando dos problemas que surgem, que nos envergonham, que nos entristecem, mas preferimos nunca colocar o dedo na ferida, buscando a causa e ficarmos simplesmente cuidando dos efeitos. Pode parecer mais funcional ficar dentro do rio, mas, se não nos dispusermos ir à cabeceira, talvez nossa força se acabe e, não conseguindo salvar ninguém, ainda acabemos por nos afogar. A fé de alguns se esfria. A superficialidade nos alcançou. Pais não sabem como lhe dar com seus filhos. Dizemos coisas, publicamente, que fazem nossa vida parecer a Disney para a platéia, mas, e quando deitamos nossa cabeça no travesseiro? Precisamos de verdade; precisamos de coragem; precisamos que o Senhor nos conduza a cabeceira do rio. Só quando o Senhor nos ilumina é que realmente podemos saber o que Ele quer que saibamos. E aí? Vamos continuar nos debatendo para resolver efeitos ou vamos buscar ao Senhor e agir em cima da causa? O tempo urge!