“Os israelitas leram o livro da Lei do Senhor durante três horas e passaram outras três horas confessando os seus pecados e adorando ao Senhor” (Neemias 9.3) Não posso deixar de expor minha tristeza com o atual rumo que as nossas igrejas estão tomando. Principalmente em relação ao nosso culto. Quando falo nosso culto, não estou me referindo ao culto de nossa igreja local, mas aos modelos de culto que o nosso cristianismo contemporâneo tem praticado. Poderíamos, então, classificá-lo como um culto pobre e sem imaginação, sem liturgia, sem propósitos e principalmente sem respeito e zelo com os ensinamentos do Senhor. Quando falo de um culto transformado em show, falo dentro das opiniões emitidas pela mídia e pelos críticos ao se referirem aos cultos evangélicos. Interessante que não é só a mídia que tem emitido essa opinião, existe uma igreja que o seu programa chama-se “Show da Fé”. Agora, deixe-me levá-los a uma reflexão: o centro do nosso culto é a pregação, e a pregação consiste na exposição das Escrituras. Antes, vamos meditar em nossos comerciais de televisão. Um bom observador irá perceber que os nossos comerciais quase não falam, especificamente, dos produtos que anunciam. Como? Em comercial de jeans, por exemplo, o foco para chamar a nossa atenção geralmente está nos conflitos vividos pela nossa juventude e não no jeans, propriamente dito. Em um comercial de perfume, vemos várias imagens sensuais, mas sem qualquer referência ao perfume. Nas propagandas sobre cervejas, também vemos mulheres que chamam mais a atenção do que as próprias cervejas. Ou seja, os comerciais são produzidos com o objetivo de entreter e apelar para as nossas emoções, mesclando sutilmente a vida real com a ilusão. Na verdade, o que está por trás desses comerciais, é a cultura de nos poupar quanto a capacidade de pensar, inundando a nossa mente com informações irrelevantes e sem significado. Assim, o que vale, realmente, é o entretenimento. As pessoas, quando ligam a televisão, geralmente a ligam para se divertirem e não para serem desafiadas a pensar. Comumente, o programa que exige que pensemos não dá muito ibope. Desta forma, precisamos entender que a igreja existe não para oferecer entretenimento, encorajar nossa vulnerabilidade ou, quem sabe, melhorar a nossa alta-estima. A igreja existe para adorar a Deus e se falharmos nessa tarefa a igreja também fracassará. Hoje, as igrejas tem destinado um tempo cada vez menor à exposição da Palavra e um tempo cada vez maior aos cânticos e outros afins. Veja que essa não é uma crítica aos ministérios de louvor e sim a forma de culto. Na nossa sociedade temos a concepção dos chamados produtos light. Temos geléia light, maionese light, pão light, manteiga light, refrigerante light, entre outros. Gente, me perdoe, pois eu já ia me esquecendo que hoje, também, temos o culto light. O culto light é um culto leve, ligeiro e alegre. Esses cultos são como os comerciais: o seu principal objetivo é criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e, principalmente, entreter. Já a essência das Escrituras, essa tem ficado cada vez mais esquecida. Dentro de uma economia bíblica, temos que pregar a Palavra (2 Tm 4.2), falar da sã doutrina (Tt 2.1), ensinar e recomendar o ensino segundo a piedade (1 Tm 6.3). Hoje, falamos em avivamento, em se ter uma igreja avivada, mas o verdadeiro avivamento começa com a pregação da Palavra. No versículo citado no início do artigo, percebemos que três horas eram destinadas à leitura da Palavra e mais três à confissão e adoração. O verdadeiro avivamento vem por meio da pregação da Palavra, seu entendimento e sua prática, e não por meio de cânticos e afins. Os cânticos devem ser o preparo da Palavra, pois o verdadeiro louvor é a Palavra poetizada. Sejamos, então, a igreja da Palavra e não a igreja animada. Animação gera frenesi. Conversão gera mudança interior, sendo que essa mudança só a Palavra tem a capacidade de realizar.